Um pouco sobre: DI CAVALCANTI.

DI CAVALCANTIEmiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo nasceu no Rio de Janeiro em 1897. Pintor, ilustrador, caricaturista, gravador, muralista, desenhista, jornalista, escritor e cenógrafo.

Inicia sua carreira artística como caricaturista e ilustrador, publicando sua primeira caricatura em 1914, na revista Fon-Fon.

Convive com artistas e intelectuais paulistas como Oswald de Andrade e Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, entre outros.

Em 1921, ilustra A Balada do Enforcado, de Oscar Wilde, e publica o álbum Fantoches da Meia-Noite, editado por Monteiro Lobato. É o idealizador e o principal organizador da Semana de Arte Moderna de 1922, na qual expõe 12 obras.

Em 1923, faz sua primeira viagem à França, onde atua como correspondente do jornal Correio da Manhã. Em Paris, freqüenta a Academia Ranson, instala ateliê e conhece obras, artistas e escritores europeus de vanguarda como, Pablo Picasso, Georges Braque, Fernand Léger, Henri Matisse, Jean Cocteau e Blaise Cendrars.

Volta a São Paulo em 1926, trabalha como jornalista e ilustrador no jornal Diário da Noite. A estada em Paris marca um novo direcionamento em sua obra. Conciliando a influência das vanguardas européias com a formulação de uma linguagem própria; adota uma temática nacionalista e preocupa-se com a questão social.

No ano de 1928, filia-se ao Partido Comunista do Brasil – PCB. Em 1931, participa do Salão Revolucionário e, no ano seguinte, funda em São Paulo, com Flávio de Carvalho, Antonio Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos – CAM. Em 1933, publica o álbum A Realidade Brasileira, uma sátira ao militarismo da época. Em 1938 viaja a Paris, onde trabalha na rádio Diffusion Française nas emissões Paris Mondial.

 

Retorna ao Brasil em 1940, trabalha como ilustrador, e publica poemas e memórias de viagem. Em 1972, seu álbum 7 Xilogravuras de Emiliano Di Cavalcanti é editado pela Editora Chile.

A pintura de Di Cavalcanti, já marcada e identificada pela crítica por suas características de brasilidade, foi nos anos 50 definitivamente consagrada através de individuais em museus, homenagens em Bienais… As duas telas do MAC-UPS desta década, “Menino e Natureza Morta” e “Pescadores”, ambas de 1951, são obras de sua maturidade e possuem algumas daquelas características.

Pescadores, Di Cavalcanti.

Nesta obra, concluída antes da viagem a Paris empreendida pelo artista em 1923, há ecos do Art Nouveau e do Simbolismo na estilização sinuosa das figuras alongadas e no tratamento do cenário decorativo e misterioso. A sensualidade das pinturas de Di Cavalcanti está presente na integração – quase verdadeira fusão – do par enlaçado em uma única forma ovalada que ocupa os primeiros planos. Os verdes, vermelhos e amarelos se contrapõem aos marrons e negros, o que prenuncia o esquema de cores típico de Di Cavalcanti.

O MAC possui em seu acervo, além de pinturas, uma preciosa série de mais de 500 desenhos, que cobrem o período que vai da década de 20 até o ano de 1952: grafites, aquarelas, guaches e nanquins, generosamente doados pelo artista.

As figuras humanas, revelam o interesse que perpassou todo seu trabalho, que foi a representação de figuras do povo -nutrindo uma atenção especial às mulatas. A flor, os peixes, as frutas ecoam aspectos da natureza brasileira e sua presença no dia-a-dia nacional. Soma-se a isso, o tratamento das tintas que faz as cores saltarem da tela.

Veja algumas obras:

Grupo de Trabalhadores. Di Cavalcanti.1933
grafite e nanquim sobre papel, 28.5 x 21.4 cm

Di Cavalcanti não provinha dos meios aristocráticos como seus companheiros do CAM e sendo assim, sua pintura funcionava como um complemento às rendas que esporadicamente obtia nos meios jornalísticos.

Dependia portanto, que ela fosse bem aceita no mercado, por motivos de sobrevivência. Em contrapartida, o desenho acabou lhe sendo um meio mais livre de trabalhar seus ideais, o que também consistiu num reflexo propriamente artístico de sua experiência profissional primeira de caricaturista.

Neste grupo de trabalhadores (1933), que identificamos como tais a partir do símbolo máximo do capitalismo industrial -a fábrica esboçada ao fundo, Di translada a estética grandiloqüente do Muralismo Mexicano para a simplicidade do suporte do papel e da técnica do desenho. Homens e uma mulher compostos de formas arredondadas, que ocupam quase todo o espaço da composição, caminham voltados para o sentido da esquerda, o sentido simbólico da subversão da ordem desde a Revolução Francesa.

A figura em primeiro plano carrega uma bandeira que é o emblema material que se ergue em prol de causas de luta ou para fins de distinção. Neste caso trata-se de identificar a luta da causa operária, que naquele momento também era uma luta política. A fumaça despejada pela chaminé e que escurece o fundo, parece impregnar o desenho, de cima para baixo, até a etapa final deste, no lado inferior esquerdo, aparentemente inacabado.

Menino e Natureza Morta, Di Cavalcanti.Menino e Natureza Morta
1951
óleo sobre tela, 72.5 X 60.3 cm

Nos anos 50 a polêmica artística se desloca para os abstracionismos e o Modernismo brasileiro, figurativo, finalmente chega na década de sua aceitação definitiva e legitimada no universo das artes. Assim como Portinari ou Lasar Segall, Di Cavalcanti manteve-se figurativista até o final de sua carreira.

Di Cavalcanti foi um dos artistas que melhor incorporou as reivindicações, encabeçadas por Mário de Andrade, por um Nacionalismo na pintura brasileira. Retratando a realidade, os aspectos peculiares do país, a paisagem, a estética moderna originalmente importada da Europa se libertaria e se conduziria por fim por caminhos próprios na arte nacional. Assim, a construção da figura nesta tela, bem como seu fundo, é marcada por uma estilização geometrizada e um tratamento de cores, herdeiros do cubismo e do fauvismo, respectivamente. A temática é captada pelo artista por uma perspectiva que pretende-se não imitadora do real, o que é demonstrado pelas desproporções e transparências, porém o objetivo de remeter àquele aspecto nacionalista referido o desvia da corrente da abstração daquele momento.

1º de maio, Di Cavalcanti.1º de Maio
1932
nanquim e grafite sobre papel, 30.7 X 24.7 cm

 

A qualidade técnica e a riqueza de conteúdo dos desenhos de Di Cavalcanti são as marcas que conferiram uma especial importância desta vertente da obra do artista, a despeito da grande quantidade deste legado, em sua maioria pertencente ao acervo do MAC-USP (564 desenhos).

 

1 º de Maio (1932) ou Grupo de Trabalhadores (1933) são duas boas representações da obra de Di Cavalcanti antenada com sua presença no Clube dos Artistas Modernos. Nestes trabalhos estão presentes elementos da crítica política, sendo colocado no papel a questão do trabalho, do capitalismo, da indústria, do operariado. Este é um Di Cavalcanti na vanguarda nacional de um movimento que é forte até hoje nas artes visuais, que é o do engajamento em relação aos problemas da sociedade.

 

1 º de Maio (1932) reproduz, através da não definição dos rostos -que mesmo indefinidos se voltam uns aos outros, a atmosfera conspiratória de uma multidão confinada num espaço identificado pela frase “Salve 1 de Maio” e pela insígnia comunista da “foice e martelo”, que informam que o desenho está tratando de trabalhadores. As centenas de cabeças que vão diminuindo num desenrolar quase infinito de planos, ao mesmo tempo que estes também se estabelecem pelos arcos que compartimentam o ambiente, são fortes elementos que reforçam aquele ambiente de conspiração.

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Comentários

2 Comentários, comente também.
  1. Carolina
    05 setembro 2009, 16:29
    O nome dele tá errado é Emiliano de Albuquerque Mello,depois ele mudou o nome e ficou Emiliano Di Cavalcanti
    O resto tá ótimo
  2. kirpich
    31 março 2010, 1:02
    ??? ??????????, ?? ?????? ????.

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